quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Saiba como deve ser a alimentação esportiva e o que evitar


A nutrição adequada é parte essencial de uma rotina eficiente de exercícios. Mas se engana quem pensa que a alimentação esportiva é alternativa apenas para atletas de elite. Ainda que de uma maneira diferente, ela também pode ser utilizada por quem adota as atividades físicas como parte da rotina.

“Os praticantes de atividade física precisam ter um plano alimentar personalizado e específico ao seu objetivo, levando em conta, além da sua rotina e individualidade, o tipo de atividade física”, explica a nutricionista Aline de Andrade.

Como deve ser a alimentação esportiva
Segundo Aline, a alimentação esportiva deve ser variada, contendo carboidratos, fibras, vegetais e frutas. Outro elemento fundamental são as proteínas, que atuam na recuperação da fibra muscular e na manutenção da massa magra. Justamente por isso, devem estar presentes em todas as refeições
Elas podem ser consumidas através do leite e derivados, carnes (principalmente magras e brancas), ovos e leguminosas (feijão, soja, lentilha). No entanto, a nutricionista alerta que também não devemos exagerar no consumo de proteína – o resultado pode ser o acúmulo indesejável de gordura corporal. Ainda na dúvida? Confira algumas dicas para ajudar.

O que deve ser consumido antes e após a atividade física?
Uma dúvida muito comum é sobre o que comer antes e depois dos treinos. Aline explica que não existe uma única definição, tudo depender do tipo de atividade física, duração, intensidade e objetivo.
De maneira geral, recomenda-se o consumo de alimentos com baixo e moderado índice glicêmico antes do exercício, deixando alimentos com índice glicêmico mais elevados para depois dos exercícios, juntamente com um alimento ou suplemento proteico.

Quanto tempo antes e depois devemos consumir os alimentos?
Em hipótese alguma você deve iniciar um treino em jejum ou com intervalo superior a quatro horas da última refeição. Por outro lado, também não é bom estar com o estômago muito cheio, o que pode gerar uma indisposição gastrointestinal.
É recomendável a escolha de alimentos de fácil digestão, evitando alimentos ricos em gordura. Após o treino, o ideal é realizar uma refeição em até uma hora.

O que deve ser evitado na alimentação esportiva?
Alimentos industrializados, assim como aqueles ricos em açúcar e sódio, devem ser evitados por praticantes de atividades físicas.
“Um plano alimentar individualizado levando em conta essas características irá promover a otimização dos benefícios do exercício, como a preservação e aumento da massa muscular, assim como a melhora de desempenho no esporte”, pondera Aline.
Para definir esse cardápio, nada melhor do que contar com a ajuda de um profissional especializado, que possa pensar nas refeições de acordo com o seu perfil.

Matéria publicada no site Nortão


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Ler é o melhor exercício para fortalecer a memória


Atividade física com repetições, alimentação saudável e boas horas de sono estimulam a manutenção de lembranças de longo prazo. Ler muito ajuda a fortalecer a memória.

Para tentar fugir do “efeito Google” – tendência de sempre procurar o que deseja na internet porque se esqueceu alguma informação –, o músico Carlos Eduardo Matias diz que tenta fazer exercícios para “forçar” sua memória. “Também procuro usar mais a internet a meu favor, para assistir a vídeos e palestras que me fazem parar para pensar e trazem conhecimento”, conta.

Depois que passou a ficar superconectado por conta do blog Tanakuka, o publicitário Roger Henrique Ferreira percebeu uma piora na sua memória. “É péssima. Muito fraca. O trabalho com a web exige que eu esteja conectado tempo inteiro. Isso já me incomoda um pouco”, reclama.

Nesses casos, a recomendação do diretor do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Ivan Izquierdo, é ler. “A memória só funciona se a estimulamos. E só atrofia e morre se não o fizermos. O melhor exercício é a leitura. Ler muito ajuda a fortalecer a memória. Quanto mais usada, melhor funciona. É o típico exemplo de que a função faz o órgão”, diz.

Izquierdo explica que a memória é feita e armazenada em sinapses (ligações entre neurônios) no sistema nervoso central. Na memória de curta duração, usada para gerenciar a realidade, a parte do cérebro mais utilizada é a do córtex pré-frontal. Mas, quando queremos transformá-la em memória de longo prazo, é preciso transferir essa informação para outra região do cérebro – o lobo temporal.
Para isso acontecer, praticar atividade física, alimentar-se de forma saudável, fazer exercícios de repetição e dormir bem são atitudes fundamentais.

Imediatismo prejudica a própria segurança das fontes de consulta

A falta de paciência para acessar informações online faz com que a segurança dos dispositivos móveis seja prejudicada no imediatismo de nossos hábitos, conforme aponta Fábio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil.

“Existe um imediatismo tão grande que, ao baixar aplicativos, por exemplo, as pessoas não leem os termos de uso e acabam se expondo ou abrindo brechas para vírus”, observa. A pesquisa mostra que apenas 30% dos consumidores instalam segurança extra em smartphones.

Os dispositivos móveis ganharam tamanha importância na vida das pessoas que, segundo Assolini, em uma situação de roubo, por exemplo, a vítima não consegue se ver livre do medo de perder dados simplesmente porque não os memorizou. “Isso aumenta a importância das informações que guardamos. O trauma de perder o celular está também associado ao risco de perder nomes, datas e números que não guardamos em outro lugar”, diz.

Parar de usar os aparelhos, porém, não é uma opção viável. Mas, para o analista, a orientação é fazer uma cópia de segurança de todas as informações. “São facilidades que vieram para ficar e não vão embora, mas é preciso proteger os dados contra vírus que possam comprometer o uso do smartphone”, diz. (LM)

Como evitar problemas no aparelho:

  • Sempre use senhas. A forma mais básica de segurança é também a mais eficiente e evita que informações importantes sejam acessadas.
  • Cuidado com os apps instalados. Antes de instalar qualquer aplicativo, certifique-se de ler as recomendações e procurar informações na internet.
  • Crie o hábito de fazer backup. A cópia de segurança pode salvar você caso o smartphone caia numa piscina, seja roubado ou precise formatá-lo.
  • Mantenha o sistema operacional atualizado. As atualizações do seu iOS ou Android contêm revisões que ajudarão o seu aparelho a permanecer em segurança.
  • Cuidado onde usa o wireless e o bluetooth. Conexões sem fio públicas não oferecem segurança. Ao se conectar a elas, você passa a estar vulnerável e suscetível a ataques.

Amnésia é a perda de uma informação que em algum momento foi armazenada. Geralmente, quando as pessoas usam esses dispositivos, elas tomam contato com a informação apenas uma única vez. Esse ato está mais ligado à atenção e à execução motora do que à memória. Logo, dizer “dependência digital” seria mais correto.

Essa dependência pode realmente prejudicar a memória?
É fato que a tecnologia faz com que a pessoa não exercite a memória e se sinta prejudicada. Por outro lado, sobra mais espaço na memória para se utilizar com outro conhecimento. A propensão a memorizar algo está intimamente ligada à prioridade e à importância da informação em determinado momento.

Por que, então, 24% dos pesquisados esqueceram a informação? Estamos usando mais a memória de curto prazo?
Se for uma informação relevante apenas para determinado momento, sim. Mas, se a informação tiver um conteúdo emocional e/ou for repetida, ela se torna uma memória de longo prazo.

O esquecimento quase sempre é decorrente de falta de atenção, e não de memória?
Na maioria dos pacientes que vêm aos consultórios, sim. A pessoa que está distraída não se concentra – logo, a informação nem chega a ser armazenada. E só podemos falar que esquecemos se em algum momento a informação foi armazenada na memória.

Estamos mais acomodados por sabermos que temos qualquer informação na palma da mão?
Para algumas pessoas, pode ser que sim; para outras, pode ser necessidade, uma vez que não temos tempo nem “espaço” suficiente para armazenar tanta informação nova em um curto espaço de tempo.

O grande volume de informações pode estar mudando a forma com que gerenciamos a nossa memória?
Sim. Afinal, somos seres adaptáveis. Se precisarmos ter acesso a um número grande de informações e temos um “hardware cerebral limitado”, precisamos de outro local para armazená-las. E é nesse momento que usamos recursos externos.

Matéria publicada no site O Tempo

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A arte da superação


Assim como a saúde física, a saúde mental é capaz de produzir crenças que limitam o desenvolvimento humano.

Conheça histórias de superação de pessoas que obtiveram conquistas por terem transformado suas crenças limitantes em crenças fortalecedoras e por terem passado por um período reflexivo muito importante para a superação das adversidades.


Motivados pelo sonho, Mariana de Lima Isaac Leandro Campos, Thiago Paulino e Danielle Nobile lutaram contra todos os desafios e conquistaram feitos inéditos.

Se, para muitos, acontecimentos trágicos e limitadores são motivos para descrédito, para outros são uma mola propulsora que motiva a ver a vida sob outra perspectiva: a da superação. As pessoas que optam por esse caminho acabam mostrando ao mundo que, com desejo e foco, a capacidade humana é quase ilimitada, mesmo em condições desfavoráveis.

Alguns já nasceram com alguma deficiência que os ensinaram a ser fortes, a aceitar diferenças e a conviver harmonicamente com suas próprias limitações. Para outras pessoas, esse caminho não é tão natural: as deficiências surgem em função de um acidente ou de outra situação trágica, e impõem a necessidade de seguir em frente para alcançar os sonhos.

Para Mariana de Lima Isaac Leandro Campos, o caminho até a aceitação da limitação imposta pela surdez decorrente da rubéola foi uma conquista cotidiana. Pela estranheza de sua voz, conversava abertamente apenas com a família e os amigos mais próximos. “Achava que era a única surda do mundo e que era diferente dos demais. Deixei de usar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) por um tempo e proibi a minha família de usá-la também. Passei uma fase fingindo ser ouvinte, mas isso não me fez feliz”, conta.

Sua vida mudou quando passou a conviver com outras pessoas que se comunicavam por meio da Libras. Graças à implementação e à regulamentação da lei que reconhece essa língua como meio de comunicação e expressão, portas se abriram em seu caminho, sobretudo, nas esferas acadêmica e profissional. Essa abertura permitiu que Mariana se tornasse a primeira pessoa surda a defender o doutorado no Estado de São Paulo, com o tema “O processo de ensino-aprendizagem de Libras por meio do Moodle da UAB-UFSCar”.

Devido às peculiaridades do caso de Mariana, a defesa da tese, que aconteceu na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em 27 de agosto do ano passado, contou com uma banca realizada de forma pouco tradicional: uma equipe de intérpretes, integrantes do Grupo de Pesquisa Surdez e Abordagem Bilíngue, tratou de verter da Líbras para a Língua Portuguesa e vice-versa, tornando acessível a participação de uma professora surda, por meio da videoconferência, e da própria Mariana. Os membros da banca e a candidata apresentaram as ponderações em sua língua – Libras ou Português – e os intérpretes fizeram a ponte entre os participantes.

Para chegar ao doutorado, Mariana teve que enfrentar antigos desafios de acesso: como os surdos têm a Libras como primeira língua e o português como segunda língua, compreendem o mundo por meio do canal visual e se comunicam com as mãos. “Os professores precisam ter flexibilidade e aceitar que a escrita dos surdos é diferente da escrita dos ouvintes. Faltam ainda profissionais intérpretes de Libras capacitados para lidar com a inclusão das pessoas surdas, pois muitos deles trabalham nas escolas e não têm domínio da Libras, o que acaba prejudicando os surdos. É uma luta sem fim”, ressalta Mariana.

Como no início do doutorado não havia profissionais intérpretes de Libras, Mariana teve que lutar pela contratação dos mesmos pela universidade. No início, amigas doutorandas e usuárias da Libras atuaram como intérpretes para ajudar o aluno do curso de Letras da UFSCar, que era responsável pelas mediações e interpretações, mas desconhecia os sinais específicos da área de educação especial.

Esse começo de adaptações tornou os primeiros anos mais difíceis, barreira superada com muito estudo e dedicação. A conquista inédita faz com que a professora se sinta aliviada e orgulhosa por ter realizado este sonho que julgava distante por ser a primeira e única surda usuária da Libras, em uma universidade despreparada para receber alunos como ela. “Acredito que, hoje, será mais fácil para outros surdos que pretendem entrar no mestrado ou no doutorado. Sempre fui a primeira e única em todos os meus passos e tive que lutar por cada sonho e realização. É uma grande responsabilidade representar os surdos, sendo a primeira doutora surda do Estado de São Paulo”, salienta a professora.

Para a orientadora de Mariana, Cristina Broglia Feitosa de Lacerda, a conquista da aluna mostra que se as instituições de educação abrirem espaço para as pessoas com deficiência, elas os ocuparão com competência. “A deficiência apenas indica um modo diferente de funcionamento, mas há muita capacidade e possibilidade nessas pessoas. O que elas precisam é de oportunidades. Seu conhecimento e competência precisam aflorar”, destaca a Cristina.

Ao abraçar a luta de Mariana, Cristina travou suas próprias batalhas, sobretudo, em relação às dificuldades burocráticas para conseguir um intérprete de Libras para a aluna. A briga valeu à pena, segundo Cristina, não só pela qualidade do projeto de Mariana, mas também pela coragem dela de aceitar o desafio do doutorado e pela certeza de que uma doutora surda poderá fazer muita diferença na luta das pessoas com deficiência nos espaços acadêmicos.

Nessa caminhada, Cristina constatou presencialmente que os sistemas são feitos para as pessoas ditas “normais” e que qualquer diferença é vista como barreira. “A pessoa tem que ser persistente. Enfrentar as barreiras de edital, como o exame em inglês, defender seu direito a usar o português como segunda língua, ter um intérprete em sala de aula, enfrentar o desafio de escrever uma tese em uma língua que não é a sua língua materna”, observa a orientadora.

Para o atleta Thiago Paulino, da ADC Intelli, a deficiência foi adquirida tardiamente, fruto de um acidente de carro sofrido em 2010. “O acidente ocasionou a amputação de parte da minha perna esquerda, e venho me adequando desde então”, conta o rapaz.

O período de adaptação à deficiência não impediu, entretanto, que Thiago colecionasse vários títulos importantes, desde que se tornou atleta profissional, em 2013: venceu campeonatos estaduais, nacionais e bateu recordes brasileiros. “Quebrar os recordes das Américas nas duas modalidades que disputo, o lançamento do disco e o arremesso de peso, foi muito importante, mas ganhar duas medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá, representando a Seleção Brasileira. Foi o ponto alto de minha carreira”, ressalta o atleta. Um lançamento de 40m66 rendeu medalha de bronze no lançamento de disco. O ouro veio no lançamento de peso, que Thiago garantiu com a marca de 13m57.

O esporte, que surgiu na vida de Thiago como um hobby, conduziu-o para longe. “Quando vesti a camisa da Intelli pela primeira vez, senti que teria que representá-lo da melhor forma possível, por ser um dos maiores clubes de futsal do Brasil, e não poderia decepcionar”, explica o atleta. Conforme os resultados foram aparecendo, Thiago começou a se dedicar cada vez mais.

A jornada de Thiago no esporte começou com o técnico Luís Serafin. “No começo, foi muito difícil, pois não tínhamos apoio. Então, o Aparecido Donizete Silva, técnico da Associação Desportiva Classista Intelli, apresentou-me para o Carlos Silva, diretor da Associação, e tudo começou a dar certo: a parceria foi formada, com o apoio do presidente do Grupo Intelli, Vincenzo Spedicato e de seus filhos Renzo e Chiara, que me deram a estrutura necessária para alcançar o nível em que eu me encontro agora”, afirma o atleta.

A rotina do para-atleta é pesada: são cinco horas por dia, entre arremessos, lançamentos e condicionamento físico, um esforço empenhado na busca pelos sonhos. “Pretendo ganhar uma medalha no Campeonato Mundial, que acontece em Outubro, e uma medalha olímpica no Rio, em 2016. Futuramente, quero implantar um projeto de Atletismo na minha cidade, Orlândia, e trabalhar com crianças, adolescentes e adultos que tenham algum tipo de deficiência. Esse é o meu maior projeto”, afirma.

O desafio em ajudar o atleta a se tornar um grande campeão motivou Higor dos Santos Morceli a assumir a responsabilidade pelo condicionamento físico de Thiago. “É difícil descrever em palavras o significado das conquistas do Thiago, vem de um sentimento de orgulho muito forte: é ver o trabalho reconhecido, é saber que nossos conhecimentos e experiências estão sendo aplicados e utilizados por uma atleta que se preparou por meio dos métodos nos quais acreditamos”, ressalta o preparador físico.

Apesar do treino de uma pessoa deficiente ser um pouco diferente dos demais atletas, em algumas ocasiões, os treinadores trabalham com o mesmo grau de exigência. “Em certos movimentos, exigimos a máxima amplitude do gesto motor, dentro das limitações do Thiago, é claro, mas sempre estimulando ao máximo o seu rendimento. Trabalhamos com certos princípios, para conseguir evoluções, um deles é o princípio da especificidade, que determina que todo treinamento deve ser aplicado respeitando a individualidade biológica do atleta”, enfatiza Higor.

As respostas satisfatórias de Thiago aos estímulos fizeram com que a equipe o visse não como um atleta paraolímpico, mas como um atleta olímpico. “O Thiago tem foco, disciplina, perseverança, determinação e humildade, alguns dos diferenciais que o transformaram em um campeão”, assegura o preparador físico.

Apenas três anos após sofrer o acidente que tirou movimentos de suas pernas, Danielle Nobile realizou uma conquista inédita: tornou-se a primeira mulher a conquistar o Campeonato Brasileiro de Paratriathlon, que aconteceu em Caraguatatuba, em 23 de agosto de 2015. Antes disso, já havia sido campeã da Meia Maratona de Buenos Aires, da Golden Four Asics SP, ambas em 2014, e da Mizuno Half Marathon em 2015. Também conquistou a Wings for Life Brasil no ano passado e este ano, e ganhou o 2º lugar da prova na Itália, como embaixadora brasileira.

A para-atleta sofreu o acidente um mês antes de concorrer ao primeiro triathlon. “Depois de três anos, finalmente, cruzar a linha de chegada de uma prova da modalidade é uma emoção indescritível. Nos últimos 500 m, quando percebi que iria terminar, chorava e ria sem parar, fiquei muito emocionada”, conta Danielle, que agora tem esperança de, um dia, representar o Brasil nos Campeonatos Mundiais.

Quando a tragédia aconteceu, imaginou que, nesse período, voltaria a andar, mas decidiu perseguir seus sonhos no esporte. “Consegui colher bons frutos, estou muito feliz e realizada. Se o plano A não deu certo, o plano B está dando. Sou muito mais feliz com a vida que tenho hoje e não a trocaria pela vida que tinha antes do acidente”, garante a para-atleta. Para chegar nesse nível, Danielle treina seis dias por semana para várias modalidades: handbike, natação, e musculação.

Também faz fisioterapia duas vezes por semana no Centro Universitário Barão de Mauá. A parceria é fundamental no caso de Danielle. Seu estado requer cuidados profissionais e equipamentos específicos dos quais depende para alcançar as condições favoráveis à carreira atlética. Além dos familiares e amigos, no início da carreira Danielle contou com ajuda do primeiro professor de natação, Jones Miller, e de sua médica, Paula Leal. Hoje, tem o apoio de Rodrigo Inouye Gouveia e de Eduardo Visentini, running coaches e personal trainers da Fun Sports – Consultoria Esportiva, da equipe da Cia Athlética e de sua técnica de natação, Ju Bezzon.

Danielle também tem como patrocinadores as empresas São Francisco Saúde, Passaredo, Porto Açaí, Vivian Bogus Fitness, Manipularium, RibeirãoShopping, Bike Center e Evolution Suplementos. Sem esses apoiadores, a para-atleta não teria condições de participar dos campeonatos.

Seu grande sonho é voltar a andar, mas, enquanto isso não acontece, dedica-se a se tornar uma grande atleta e sonha em competir nos mundiais e em ser convocada para as Paralimpíadas. Também quer influenciar mais pessoas a ter uma vida saudável. Há um ano e meio, a atleta fez um blog para incentivar os cadeirantes a buscarem mais qualidade de vida.

O personal trainer de Danielle ressalta que a atleta se mostra perseverante e realista desde o primeiro dia após seu acidente. “Ela traçou um plano A, que é voltar a andar, e um plano B, que é se tonar uma paratriatleta, mas não ficou presa a isso e foi atrás do B. Isso mostra que ela não se entregou aos obstáculos, decidiu enfrentar as dificuldades diariamente, ainda mais focada em seus novos objetivos”, comenta Eduardo, seguro de que a jovem ainda proporcionará muitas alegrias.

Antes de prescrever um programa de atividade física, os treinadores fazem uma avaliação e dimensionam os objetivos de cada indivíduo. A partir daí, têm condições de escolher os caminhos para chegar aos resultados esperados e possíveis. “Cabe ao treinador propor uma atividade condizente com a realidade do atleta — um programa de atividade física para um deficiente não difere de um para não deficiente. Ambos contemplam atividades possíveis de serem realizadas, sendo explorado o que é permitido fazer”, esclarece Rodrigo, ressaltando que a pessoa deficiente não precisa de dó, mas de respeito.

No caso de Danielle, o maior desafio foi a atleta se redescobrir, entender como seu corpo passou a funcionar e o que era capaz de fazer, segundo Rodrigo. Os resultados vieram naturalmente. “A Dani simplesmente dá um banho em todos nós quando o assunto é otimismo, determinação e coragem. Para uma pessoa assim, o difícil seria não alcançar o sucesso”, ressalta Eduardo.

São justamente características como essas que motivam os treinadores a trabalhar com atletas deficientes. “Eles têm garra de viver e de conquistar seus sonhos, não perdem tempo reclamando da vida, vão atrás de seus objetivos e nunca desistem de buscar o que desejam”, conclui Rodrigo.

Lutando contra a corrente


Brigar com as limitações impostas pela deficiência é apenas uma das lutas de Danielle Nobile. A handbike que usa para competições é de ferro e pesa quase que três vezes mais que as de alumínio, usadas pelas demais atletas.

Assim, Danielle tem que carregar muito mais peso que as concorrentes, o que a torna mais lenta nas competições, e evidencia seu talento, pois, apesar disso, ainda é a terceira no ranking nacional de paraciclismo. Essa limitação a impede de concorrer em provas maiores. A handbike também não atende às normas da UCI, a Federação internacional.


Danielle também não tem cadeira de atletismo, usada na parte da corrida nas provas de triathlon — compete com equipamento emprestado. “Sem a cadeira, eu não consigo treinar corrida e melhorar essa parte, na qual sou péssima”, comenta a atleta.

Mesmo com a ajuda de seus patrocinadores, a para-atleta paga com dificuldade as contas domésticas, os custos da dieta e das viagens que realiza para as provas. Já teve que cancelar várias competições por falta de recursos. Como não tem carro, Danielle não pode levar a hanbike para locais onde possa treinar com segurança, e realiza seus treinos no rolo, um suporte que mantém o equipamento girando, sem sair do lugar, dentro do apartamento. “Nos treinos, não enfrento subidas, descidas contra vento e condições climáticas diversas, como encontramos nas provas. Sei que meu desempenho seria melhor se eu pudesse treinar na rua”, explica a campeã. Para o transporte, Danielle conta com a ajuda de um taxista para colocar a handbike e a cadeira de rodas dentro do carro, mas esse serviço é pago.

Por esses fatores, a para-atleta lançou uma campanha, em seu blog, daninobile.com.br, para adquirir uma handbike de alumínio, que vá ao encontro dos padrões exigidos pelos campeonatos e que a possibilite disputar as provas em pé de igualdade com os concorrentes. “Com essa handbike, teria muito mais condições de competir e trazer mais prêmios para a cidade. Espero muito que as pessoas compartilhem deste meu sonho”, conclui a atleta, destacando que as pessoas também podem colaborar fazendo depósito na conta que está no nome de Danielle Nobile Bó (conta corrente 01019668-8, agência 0467 do Banco Santander).

Quebrando limites

Para o coach Fábio Procópio, o que torna pessoas como Mariana, Thiago e Danielle tão especiais é o autoconhecimento. Assim como a saúde física, a saúde mental é capaz de produzir crenças que limitam o desenvolvimento humano. Para Fábio, essas pessoas obtiveram tantas conquistas por terem transformado suas crenças limitantes em crenças fortalecedoras e por terem passado por um período reflexivo muito importante para a superação das adversidades. “Muitas vezes, diante dos desafios, o ser humano se sente forçado a repensar verdades, valores e sentimentos por quererem viver e seguir adiante”, ressalta o coach.

A capacidade de encontrar um foco, elencar ações e colocá-las em prática para chegar a determinado objetivo ou resultado torna as pessoas mais aptas a enfrentarem os desafios. “Com meus clientes, trabalho muito a confiança e a esperança ligadas ao objetivo principal e específico de cada um. É preciso visar e se enxergar em algo maior, que trará benefícios e que seus valores, propósitos e missão de vida estejam presentes nessa jornada”, explica o coach.

O desenvolvimento dessas competências ocorre quando a pessoa passa a se importar mais consigo mesma, permite-se esse período de autoconhecimento e reflexão e começa a questionar se as “verdades absolutas” não são crenças que limitam seu desenvolvimento. “Crenças limitantes são viciantes e podem ser maléficas na reconstrução da autoestima e da confiança pessoal”, afirma o coach, destacando que esta é a hora de se conectar consigo mesmo, com a criança que foi, que pode ensinar como arriscar mais, sorrir mais, pedir mais ajuda, cair e rapidamente partir para uma nova brincadeira.

O único limite que existe no alcance das metas, segundo o coach, é o imposto pelo próprio ser humano, que acredita saber de si e se fecha para as pessoas e para o novo. “As adversidades e os desafios estão presentes em cada um e é preciso rir cada vez mais deles — rir e chorar como uma criança que não tem conceitos pré-estabelecidos sobre a vida, que não enxerga limites para ultrapassar as barreiras e que vê no medo a possibilidade de construir um novo sorriso, com muito mais propósito”, conclui Fábio.


Texto: Carla Mimessi
Fotos: Júlio Sian e arquivo pessoal


Matéria publicada no site Revide

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Falta de fôlego e dores musculares são comuns no início da prática da corrida


A corrida é uma ótima opção para aqueles que decidiram iniciar uma atividade física e começar o ano de forma mais saudável. Porém, situações e sensações desconhecidas podem assustar um corredor iniciante e fazê-lo desistir dessa atividade tão benéfica para a saúde.

O começo de qualquer atividade física pode não ser tão fácil quanto se imagina, mas com persistência, regularidade nos treinos e acompanhamento pode-se chegar longe.

A corrida é uma ótima opção para aqueles que decidiram iniciar uma atividade física e começar o ano de forma mais saudável. Porém, situações e sensações desconhecidas podem assustar um corredor iniciante e fazê-lo desistir dessa atividade tão benéfica para a saúde. É normal e esperado sentir falta de fôlego. O peito parece rasgar quando o ar começa a entrar. E não é exceção sentir a perna dolorida após uma corrida. Para não deixar ninguém desanimado, vou alertar sobre o que esperar quando se começa a correr:


Falta de fôlego
Ficar sem fôlego após uma corridinha de 100 metros é normal no início. Ninguém que comece do zero vai fazer 10km no primeiro treino e sem dificuldade. O ideal é começar intercalando caminhada e corrida, um minuto correndo e três andando, por exemplo. Após alguns dias ou poucas semanas, o corpo vai ganhando condicionamento e correr sem parar para caminhar não vai ser uma tarefa difícil. Para saber como ir evoluindo, o ideal é consultar um profissional de educação física.



Dores musculares
Os dois dias seguintes aos primeiros treinos são marcados por dor muscular. Especificamente falando, é a chamada dor muscular tardia. Ela pode ser bem intensa e dificultar algumas atividades simples, como descer degraus e sentar, porém, não há razões para se preocupar, afinal elas são esperadas. A dor muscular tardia é um processo normal, que acontece porque os músculos ainda não estão habituados com a sua nova demanda de trabalho. Dentro de pouco treinos os músculos ficam mais fortes e essas dores diminuem ou praticamente desaparecem para nossa sorte.



Aumento da surodese
Com o aumento do condicionamento do corpo pode ocorrer também um acréscimo da quantidade de suor durante a atividade física. Esse fenômeno é normal e acontece porque o corpo começa a regular sua temperatura de forma mais eficiente.

Seja como for, o começo de qualquer atividade física pode não ser tão fácil quanto se imagina, mas com persistência, regularidade nos treinos e acompanhamento profissional, a corrida se torna um esporte muito prazeroso, viciante e benéfico para a saúde.

Por RAQUEL CASTANHARO – Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br

Matéria publicada no site Globo.com

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Estudo americano comprova que mulheres que praticam exercício físico durante a gravidez possuem menor pressão arterial


Um estudo realizado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, analisou o nível de atividades físicas de 51 mulheres durante cinco anos e constatou: os filhos daquelas que praticaram exercícios regulares, como caminhar e correr, principalmente no terceiro trimestre de gravidez, tinham menor pressão arterial aos 8 e 10 anos.

A personal gestante Roberta Gabriel, que participou do programa “Mamãe Gentil”, do Esporte Espetacular, e cuidou da apresentadora Fernanda Gentil durante a gravidez dá dicas e comenta sobre a importância da atividade física durante a gestação.

Qual a importância de ter um personal gestante acompanhando a gestação?
Ter a segurança de que estará cuidando do seu bem-estar e da saúde sua e de seu bebê com um profissional que sabe respeitar a necessidade de cada fase Gestacional.

O que a ginástica durante a gestação ajuda a prevenir?
Doenças próprias desse período como a Diabetes e a hipertensão (Pré-eclâmpsia); dores nas costas (principalmente lombar); surgimento de dor e lesão nos punhos, ombros e quadris; diminuição do inchaço; incontinência urinária e constipação intestinal.

Quais são as principais preocupações das clientes?
Controle de peso como promoção da saúde. Pois quando equilibramos e controlamos esse ganho de peso, naturalmente essa gestante estará evitando patologias próprias do período Gestacional, como a diabetes e prevenido o surgimento de desconfortos proveninetes da alteração postural e do ganho de peso excessivo, como as dores lombares.

Quais são os exercícios mais recomendados?
Os exercícios devem ser recomendados de acordo com a individualidade de cada mulher, tanto de condicionamento físico quanto de condição obstétrica. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Temos que parar com esse conceito de gestante só pode fazer isso ou aquilo. Cada caso é um caso! E cada mulher tem perfil para uma atividade diferente! O que recomendo a todas as gravidas é a Ginastica Pre-Natal que consiste num conjunto de exercícios próprios para promover a saúde feminina, assoalho pélvico, abdômen, quadril, focados no fortalecimento para os cuidados com o bebê e na volta da barriga!

Quando a ginástica deve começar? E quando é o momento de parar?
Para as duas perguntas vou responder: depende! Atualmente muitos obstetras liberam suas clientes a praticar exercícios desde a descoberta da gestação outros são mais conservadores e preferem manter o repouso até 12 semanas (3 meses), mesmo sendo uma mãe ativa! E para a interrupção a conduta medica também não única, em alguns casos libera-se até o dia do parto, em outros paramos com 37-38 semanas. O mais importante é respeitar a conduta médica!


Matéria publicada no site Notícias R7

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Sopa de espinafre pode ajudar a controlar a hipertensão


Pesquisadores do St. Michael’s Hospital, no Canadá, descobriram que a sopa de espinafre tem propriedades que ajudam a controlar a pressão arterial. Quem gosta do vegetal também podem aproveitar para ingerir o alimento puro e terá o mesmo resultado.

Segundo os estudos, o nitrato inorgânico que existe no espinafre se transforma em óxido nítrico no organismo. Essa molécula tem a capacidade de dilatar os vasos sanguíneos. Como consequência, a pressão arterial diminui naturalmente.

É um alívio para quem é diagnosticado como hipertenso. A parte mais difícil está na mudança dos hábitos. Mas nada que optar por alimentos saudáveis, sem abrir mão do sabor, não possa ajudar


Número de hipertensos em crescimento

A hipertensão arterial é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Segundo informações do Ministério da Saúde, pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral no Brasil são causadas pela pressão alta.


Até 2025, o número de hipertensos no país deverá crescer 80%, conforme pesquisas realizadas pela Escola de Economia de Londres, o Instituto Karolinska e a Universidade do Estado de Nova York.

Atualmente, 17 milhões de brasileiros têm pressão alta, especialmente pelo consumo de cigarro e álcool, sedentarismo, obesidade e má alimentação.

Matéria publicada no site O Nortão

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Como o estado de espírito influencia a saúde


Uma das principais pesquisadoras da área, a americana Esther Sternberg dedica-se desde os anos 1980 a comprovar como o sistema nervoso e os hormônios nos tornam mais suscetíveis a doenças inflamatórias. A mesma parte do cérebro que controla a reação ao estresse tem um importante papel para tornar o organismo mais propenso a desenvolver enfermidades como a artrite.

Pesquisas mostram que cérebro está ligado ao sistema imunológico e sentimentos negativos podem tornar corpo mais vulnerável.

Quando a mente não consegue mais suportar, o corpo reage. E isso não é apenas sabedoria popular. Antes um conceito estigmatizado pela comunidade médica, o bem-estar emocional é cada vez mais compreendido como um fator crucial para a prevenção e o tratamento de doenças.

Nas últimas décadas, avanços em pesquisas nas áreas da neuroanatomia e da bioquímica permitiram que os médicos compreendessem melhor como o nosso cérebro está ligado ao sistema imunológico e como o estresse e o acúmulo de sentimentos negativos podem tornar a saúde mais vulnerável.

Essas descobertas reforçam a ideia de que, para tratar doenças que apresentam sintomas físicos, não se pode ignorar as emoções.

Uma das principais pesquisadoras da área, a americana Esther Sternberg dedica-se desde os anos 1980 a comprovar como o sistema nervoso e os hormônios nos tornam mais suscetíveis a doenças inflamatórias. A mesma parte do cérebro que controla a reação ao estresse tem um importante papel para tornar o organismo mais propenso a desenvolver enfermidades como a artrite.

As maneiras como a psique afeta o corpo ocorrem de forma direta e indireta, como explica Moisés Evandro Bauer, do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS. A direta é comportamental: os modos encontrados para lidar com o estresse e a depressão nem sempre são saudáveis. Aumento do tabagismo, isolamento e falta de controle com a alimentação são alguns exemplos que colaboram com o enfraquecimento do organismo para lutar contra vilões como viroses e até mesmo o câncer.

As linhas indiretas envolvem alterações principalmente no hormônio ligado à regulação imunológica, o cortisol, liberado em situações de estresse. Em quantidade moderada, ele ajuda a combater inflamações e a manter a pressão arterial.

Em pacientes com estresse crônico, os níveis de cortisol se elevam, causando alterações no sistema imune. Em alguns casos, ocorre a imunossupressão, ou seja, o enfraquecimento da resposta imune do organismo. Em outros, a atividade do sistema imunológico é exacerbada, o que pode desencadear as chamadas doenças inflamatórias, como as cardiovasculares, metabólicas e autoimunes.

No Instituto do Câncer Hospital Mãe de Deus, o psicólogo Marcelo Pereira Lemos trabalha com pacientes que lutam contra a doença. Junto às sessões de quimioterapia e radioterapia, o atendimento psicológico faz parte da rotina. A partir do momento do diagnóstico, o bem-estar emocional passa a ser um dos pilares para a recuperação.

—Trabalhamos com os pontos positivos de cada paciente. Potencializamos aquilo que é bom, seja uma crença ou um sentimento, para encontrar medidas de enfrentamento da doença. Tudo o que for melhor para ele e que tenha validação médica para que o corpo responda de maneira mais eficaz ao tratamento, será feito. O corpo e a mente funcionam juntos — diz Marcelo.

Quebra de tabu na medicina ocidental

Com essa premissa, de que o corpo e a mente estão interligados, médicos e pesquisadores comprovam que uma abordagem interdisciplinar para a prevenção e cura das doenças, como o câncer, pode ser mais eficaz. Esse conceito deu origem à medicina integrativa, considerada uma quebra de tabu na medicina ocidental.

A prática combina os métodos e tratamentos intensivos às terapias e técnicas complementares. A espiritualidade e o bem-estar psíquico do paciente passam a ser contemplados nos cuidados durante o tratamento de doenças.

— Ninguém está dizendo que se deve deixar de tomar os antibióticos ou qualquer outro medicamento, mas se os remédios para tratar a doença forem tomados sob constante estresse, serão menos eficazes. Aderindo a técnicas como meditação ou tai chi chuan, que aliviam e aquietam a mente, e a práticas saudáveis como caminhar 30 minutos por dia, é possível reverter os sinais do estresse crônico, que prejudicam a cura — afirma Esther Sternberg, professora e diretora de pesquisa no centro de medicina integrativa da Universidade do Arizona.

Para Esther, práticas como a meditação ajudam a modular a conexão entre o cérebro e o sistema imunológico. Essa ligação foi uma das suas descobertas mais impactantes para o campo da medicina. A reação excessiva do cérebro ao estresse, segundo a especialista, atrapalha a habilidade do corpo de cicatrizar e curar.

— Estresse não causa diretamente as doenças. O vírus da gripe causa a gripe e diversos fatores causam o câncer, por exemplo. Mas essas descobertas científicas foram importantes para entender como controlar o estresse pode ajudar na redução à suscetibilidade para certas doenças — diz a pesquisadora.

Resposta biológica ao estresse

Segundo o pesquisador Moisés Evandro Bauer, do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS, pacientes com transtornos psíquicos, como depressão ou estresse crônico, desenvolvem mais doenças físicas e de cunho inflamatório como diabetes, AVC e infarto agudo do miocárdio.

Pesquisas recentes mostram que pessoas com transtorno bipolar — uma doença crônica que pode surgir ainda na adolescência — também tiveram respostas de inflamação no organismo de forma exacerbada. Entre a euforia e a depressão, a rotina de quem lida com a doença está sob estresse constante.

Os exames dos pacientes investigados mostraram que há uma elevação de proteínas inflamatórias — as citocinas — no sangue. Quando essas proteínas são encontradas em altos níveis, o corpo sinaliza que há um processo inflamatório no organismo. A elevação das citocinas é também encontrada em pacientes diagnosticados com câncer, doenças reumáticas e cardiovasculares.

Indo mais longe, pesquisadores começam a investigar também a resposta biológica do organismo a eventos causados ainda na infância. As cicatrizes psicológicas de traumas, maus-tratos e negligência emocional não ficam apenas na memória.

— Essas pessoas, quando mais velhas, mesmo com um estado de saúde normal aparente, manifestam alterações inflamatórias no sangue bem mais exacerbadas em relação ao grupo controle, que não teve história de traumas na infância — revela Bauer.

Para o pesquisador, essas comprovações devem mudar a forma como o médico avalia o paciente e também o tratamento contínuo de doenças.

— A divisão antiga que tínhamos entre um quadro de doenças psicológicas e um quadro de doenças mais clínicas, para mim, não existe mais. Doenças psíquicas desenvolvem alterações biológicas, mas também as doenças que, antigamente, não tinham ligação psiquiátrica, como as cardiovasculares, tidas apenas como físicas ou orgânicas, têm comprovadamente uma ligação com fatores psicológicos — finaliza.

O conceito de medicina integrativa busca, portanto, usar técnicas que tragam bem-estar e saúde mental para ajudar a curar doenças. De acordo com Esther, se o estresse não for combatido, trabalha-se contra o corpo e o sistema imunológico.

— O grande problema com o conceito de medicina do corpo e da mente é que há uma pressão para que os pacientes encontrem soluções sozinhos. E, se eles falham, passam a sentir-se mal, porque não conseguem tratar a si mesmos. É preciso procurar ajuda e encontrar os hábitos e as técnicas que funcionam para cada um e que são relevantes para a condição de saúde atual.

Não é só “coisa da sua cabeça”

“Isso não é nada, é tudo psicológico.” Essa frase, para a psicóloga e professora da Unisinos Andressa Bellé, é um reflexo de que a psique, como fator desencadeante de doenças, ainda é subestimado pela população em geral. A especialista em terapia cognitivo-comportamental explica que os pensamentos se relacionam com as emoções, podendo desencadear o estresse.

Andressa menciona certas distorções cognitivas comuns, como a chamada catastrofização, uma forma de interpretar e enxergar situações do cotidiano como mais graves do que a realidade. Para Andressa, pessoas que sofrem com isso têm a tendência de viverem sob estado prolongado de ansiedade.

— O que a gente pensa interfere no que a gente sente. Investir na saúde mental é uma forma de prevenção de doenças — afirma.

As doenças psicossomáticas são aquelas que a origem pode ser traçada até a mente. Disfunções gastrointestinais, alergias, alterações na pressão arterial: todas aparecem quando o organismo não têm mais a capacidade de suportar os efeitos gerados pelo estresse contínuo.

— Muitas vezes, o paciente começa a tomar o medicamento, mas não vê efetivamente uma melhora. São nesses casos que considera-se o fator emocional e psicológico — diz.

Materia publicada no site Zero Hora

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